Minha respiração oca sendo inaudível, o chão não oferece resistência contra mim, sinto meu sangue gelando e secando, desprovido de vida, vontade ou alegria, apesar disso, aquele tique-taque fraco ainda emerge, como uma bomba-relógio pronta para me incendiar a qualquer segundo, mas não por vontade própria, nem pelas leis deste mundo.
Uma vizinhança longe da proximidade mas ainda perto.
Por mais que as áreas sejam monótonas, elas são imprevisíveis. Preso entre espaço e tempo, o plano da escuridão e o plano da luz colidem um com o outro, moldando um ao outro em uma bagunça irracional. Sinfonias não cumpridas permanecem em um vazio sem fim, uma mera mistura de cacofonia, imitações da humanidade e do incolor do Backworld, despojados de seu propósito, desmontados pedaço por pedaço, até que o contexto não importe mais. Um lugar familiar, mas não humano, que fornece vida morta para o ninguém, casa após casa, mas nenhum um lar.
A falsidade amálgama ressoa vazia.
Alguns lugares parecem presos em uma espécie de limbo, eles pretendem existir enquanto não existem, eles existem enquanto não pretendem existir; enquanto outros são substituídos pelo novo, alguns são apagados de seu próprio lugar de existência, mas exceções podem ser feitas. Cada passo é uma descida lenta para o desconhecido, perdendo terreno desajeitadamente abaixo, tudo é instável e a realidade lentamente desmorona como um lustre a essência ardente finalmente desaparecendo, mas de alguma forma, permanecendo em chamas. Uma sensação de claustrofobia preenche o vazio, os relógios estão se aproximando do fim, mas permanecem congelados no tempo pela eternidade.
Alguéns - Deixados sem batimentos cardíacos, deixados sem identidade.
Preso entre dois extremos, tão vivos quanto não, são um salto da aniquilação total para o esquecimento. Consolidações sem fim, tudo em união, em sua própria consistência, permanecendo em persistência, mas preso em um reino de reminiscências não cumpridas, enquanto a inconsistência se espalha, a subsistência também não, enquanto cresce e cresce em instância, aproximando-se da libertação.
A cada milênio aparente, uma nota aparece, pregada rapidamente, com pressa, na superfície que estiver mais próxima, quase totalmente em branco, linhas singulares de tinta, porém, não forma nenhuma palavra ou frase.
A parede retorna ao branco, a nota desaparecendo aparentemente no ar, como se nunca fosse real, nunca tivesse a intenção de ser lida ou escrita, simples e infelizes traços em uma lousa em branco, uma pequena e insignificante parte de um quadro maior, querendo significar algo, apesar de não ter energia para isso.
